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A Ordem dos Elementais_ O Caos

  • Foto do escritor: Ceres Margo
    Ceres Margo
  • 4 de mar. de 2020
  • 13 min de leitura

Capítulo 2

51 do mês Zolk, 852

Durante o Ápice da noite anterior (50 do mês Zolk) houve uma tempestade de grau 6, suas ondas poderiam destroçar qualquer embarcação menor, a princípio o barco não respondeu a direção do timão. Apesar disto, nos recuperamos o controle e conseguimos desviar de algumas ondas. Temos apenas duas de três velas funcionando, um dos mastros foi destruído. Houve também perda de suprimento, não acredito que nós vamos conseguir chegar ao porto de Feyr sem mais perdas. Talvez tenhamos que aportar em alguma ilhota próxima. Infelizmente nós perdemos uma das embarcações, o Mysti. A maioria dos homens conseguiu sobreviver, em torno de 30 se perderam no oceano.

Nós nos desviamos em torno de um dia da rota inicial, entretanto, de acordo com o novo cálculo da rota chegaremos em Catingan ainda neste mês.

Os homens começaram a limpar o convés e arrumar o navio, acredito que até ao meio dia os suprimentos já estejam categorizados. A tempestade nos tirou da rota inicial, meus imediatos estão fazendo um curso alternativo. Acredito que não haverá motivo para motim, entretanto, meus homens mais próximos estão preparados caso algo aconteça.

O tesouro do rei permanece seguro, sua quantia será recontada quando formos aportamos no reino de Catingan.

Capitão Jolly Roger

53 do mês Zolk, 852 Missão de reconhecimento

Aportamos próximo a uma ilha ainda não mapeada, a referência mais próxima seria a leste do pélago do farol. A praia não é muito extensa, aparentemente não há árvores frutíferas. Apesar disto, encontramos água doce em a poucos minutos de caminhada de distância da praia, em uma gruta. Não há sinal de vida inteligente. Aliás, não há sinais de vida, não há o canto dos pássaros ou qualquer barulho de animais, até mesmo o vento aparentemente não passa por aqui. Não há prováveis tesouros minerais, apesar disto, Mafew colheu algumas amostras de plantas e sementes, para testar suas propriedades. Não havia visto flores mais belas ou lugar mais bonito em toda minha vida, entretanto o fato de não haver som era perturbador.

Os homens estavam apreensivos quanto a ficar mais do que o necessário, apelidaram na de ilha de Ingry (o guardião das portas da morte). Não conseguimos explorar o restante da ilha, apenas abastecemos alguns barris vazios. Imagino que chegaremos ao porto antes do que o imaginado.

Próximo ao final do dia, houve um acontecimento incomum. Depois que estávamos longe o suficiente da ilha para vermos apenas um borrão, achamos que estaríamos expostos a outra tempestade, a escuridão ficou tão densa que poderíamos até tocá-la. Os relâmpagos iluminavam a milhas e milhas, foi assim que conseguimos ver o ciclone que se formou em questão de segundos. Ainda me pergunto como isso foi possível sem vento. As velas baixaram, não havia movimentos na água, a não ser a tromba d'água, a uma milha de distância.

Estávamos com medo, é claro. Alguns dos homens que já estavam no convés relataram o ocorrido e foram avisar os outros. O mais assustador foi quando a tempestade parou e simplesmente, saiu do ciclone uma...

“ Olá de novo amigos, acredito que agora seja a minha deixa para assumir o timão da situação. Desculpem, é giria de marinheiro, talvez eu tenha me empolgado um pouco. Bem, vamos lá: O sol já estava escondido, mas, os raios alaranjados denunciavam sua posição. Eles estavam se misturando com o roxo azulado do céu ao leste. A lua começava a nascer bem próxima ao horizonte podendo quase tocar o mar. Faltavam em torno de três dias de viagem para o J.R Catingan e sua frota chegar ao porto de Feyr. Eles traziam alguns tesouros enviados da ilha de Cetus, além de uma proposta de casamento como uma oferta para aumentar o poder dos dois reinos. O capitão Joly Roger estava na proa, revisando a rota para as docas quando ele avistou, uma aglomeração dos homens a estibordo. Para um marinheiro a vela, a pior coisa que poderia acontecer seria que os ventos parassem. Naquele momento o mar estaria morto. bom, foi exatamente isto que aconteceu. Não havia movimentos nas águas ou no céu. sem brisa. Eles estavam parados no oceano, próximo a uma ilha não mapeada, sem uma única brisa para os levar para casa.

Aqueles homens estavam com medo, mas não da situação em si. Eles se aglomeravam para ver que, em questões de minutos uma tromba d'água se formou. Ainda faltava uma hora para que a luz sumisse completamente, entretanto, o tempo escureceu. Alguns raios estavam denunciando uma tempestade próxima. Marinheiro algum tinha presenciado a formação de uma tempestade junto a um ciclope com o mar completamente imóvel. Sem um único vento para potencializar a tempestade.

O que mais os amedrontou foi a sua partida, vindo de repente, com a mesma rapidez que a chegada. No lugar onde outrora um ciclope estivera, surgiu algumas algas flutuando, pouco maiores que a tampa de um barril. O céu ainda estava com toda a sua glória em luzes coloridas, exatamente como estivera momentos antes. Como se não houvesse passado pouco mais de alguns segundo...

O capitão ficou estático por um momento, sem acreditar no que seus olhos acabaram de ver. Quando voltou a si ele se dirigiu aos marinheiros. Eles estavam agitados, procurando explicações nas coisas mais mirabolantes, existentes ou não. Eles começaram a acusar uns aos outros dizendo que certos homens não haviam bebido do Âmbar antes de saírem de Cetus. ↘bebida oferecida pelos donos do navio para garantir a volta ao porto.

Diziam que os deuses estavam amaldiçoando eles, como o navio fantasma de David Jones. Que isto ocorreu por transportarem pessoas pagãs em suas embarcações. Deem um desconto a eles, eram pessoas supersticiosas, com uma imaginação muito grande.

Havia uma pequena criatura em cima daquelas algas, flutuando pelo oceano.

Finalmente o capitão resolveu se pronunciar: -Homens, baixem as velas e solte a âncora. Ficaremos aqui por um tempo. -Ele gritou para os marinheiros. -Preciso que dois de vocês subam em um bote e peguem aquela criança.

Quando o capitão saiu do recinto os burburinhos começaram:“ Ele só pode estar louco.

ela acabou de sair de um ciclope e ele quer que a gente salve ela? vai saber o que acontecerá conosco.

Deve ser uma amaldiçoada, por isso foi deixada para morrer.

De onde essa criança veio?

Eu disse, deve ser a cria do inferno, filha daqueles demônios de caldas.

Ela pode ser a filha da própria Nimue.” ↘Divindade Cetuniana

E por aí vai. O bebê estava bem. Com fome é claro. Alguns dos marinheiros mais jovens e supersticiosos queriam deixá-la na água, achavam que ela foi uma oferenda para a Deusa Nimue, que seriam amaldiçoados por trazê-la para o barco. Os marinheiros mais velhos achavam que eles deviam ficar com ela, que os deuses iriam amaldiçoá-los por estarem deixando uma alma inocente para morrer.

Seja como for a decisão era do capitão, e ele escolheu acolher o bebê enquanto estivessem no mar e que, quando aportarem em Feyr, a deixariam em um orfanato. Alguns acham que foi por bondade que ele fez isso, mas, eu posso garantir a vocês que assim como todos os outros marinheiros, ele também tinha suas próprias crenças.

Queridos Amigos, aquela criança veio a terra de forma majestosa.

Nós encontramos uma criança, pouco mais de um mês de vida, flutuando sobre algumas algas. Pretendemos levá-la até o orfanato mais próximo. Os marinheiros estavam temerosos, por ter acontecido algo sobrenatural, diferente de tudo o que conhecemos.

Estamos voltando para casa, e espero que, ela também encontre um lar.

Capitão Jolly Roger

Os homens a chamaram de Aretusa, a filha das águas. Ela não deu muito trabalho, exceto quando chorava. O capitão colocou o homem mais receoso para tomar conta da menina. Ele protestou, é claro, mas, o capitão ameaçou prendê-lo, então ele aceitou de bom grado cuidar da menina. Ele acreditava que o navio estaria condenado, pois, ela era um mau presságio.

A viagem de volta durou pouco mais de três dias. Quando chegaram a Feyr, como prometido, o capitão pessoalmente deixou a criança no orfanato da cidade. Ele tinha esperança de um dia encontrá-la novamente. ↘encontrada uma cópia (registro de nascimento) de uma criança com o mesmo nome. -anexar no final

Bom amigos, a notícia se espalhou. Em menos de um dia toda a cidade já sabia do acontecido. As servas comentavam pelo mercado e depois para suas senhoras. Estas, comentavam com os maridos, até que chegou no ouvido do governador daquele porto. Não havia uma pessoa que não conhecia a história da misteriosa Aretusa, a criança tirada das águas.

Naquela mesma semana, o povo se reuniu na praça, próximo ao mar. Naquele dia, o administrador do porto fez uma proclamação pública sobre o “corajoso e nobre Jolly Roger”. em pouco tempo o reino inteiro conhecia a história de Aretusa. Maximilian concedeu ao capitão algumas terras no condado. A criança permaneceu com o nome Aretusa. As mais belas canções do reino contam sua história. As damas mais abastadas iam até o orfanato para apenas segurá-la no colo e serem abençoadas pela filha das águas. Claro que as senhoras do orfanato não deixaram de cobrar por isso.

Assim como todas as histórias de pescadores se tornam meras histórias, com Aretusa não foi diferente. Em alguns meses ela não se passava de uma lenda. As pessoas discutiam a veracidade dos fatos nos mercados. Os pais ameaçavam seus filhos dizendo que, se fossem malcriados elas receberiam a visita de um mostro que surgiu do mar e que estava na cidade. A história se espalhou como um boato, até o ponto que ficou tão incrível que deixou de ser verdade. A lenda de Aretusa Barona, filha das águas. Eu também acho que soa bem. Ela era como qualquer criança normal.

Foi adotada em torno dos 9 anos pela família Antov, oriunda de Ag’lus.

Como descrever esta família?

Eu poderia começar pela sua origem, o amor proibido de May e Jord, a fuga, a desilusão… Eu poderia começar também dizendo o quanto eles eram felizes à mesa, conversando sobre as maiores trivialidades enquanto Aretusa servia o jantar. Ou poderia começar pelas crianças, que quase nunca brigavam entre si, já que o passatempo preferido era bater em Aretusa. Eu posso começar também com as histórias de todas as vezes que ela acordava com seus próprios gritos no meio da noite, devido aos pesadelos que apareciam junto a febre após as surras por malcriação. Deitada em sua cama simples no porão, sem luz alguma de dia ou noite. Em quase todas as vezes ela desmaiava quando estava na metade da “correção”. Até o cachorro vivia melhor.

Seja como for, o fim é o mesmo, então vamos começar o motivo pelo qual ela foi adotada, o começo de sua vida com a família, e o final dela.

Annika Antov era a filha mais velha, a mais sonhadora também. Tinha em torno de 14 anos quando ficou noiva de um mercador da cidade vizinha. Com sua partida iminente, não haveria outra pessoa para substituir as tarefas de Ollie, a caçula dos olhos brilhantes, já que esta substituiria sua outra irmã. Ava, a teimosa da família e irmã do meio faria os doces para vender nos festivais. Ollie ficaria com o cuidado dos animais. Os filhos, tantos os mais novos quanto os mais velhos iam com o pai para a floresta, eles eram caçadores, lenhadores, pescadores, ou qualquer outro trabalho que estivesse disponível naquela região. O trabalho que a família precisava era a limpeza da hospedaria.

Não sei vocês, mas, ligando os pontos podemos perceber onde eu quero chegar. Aliás, onde eles querem chegar. A idade de Aretusa era igual a de Ollie, então, eles não pensaram duas vezes antes de adotarem a garota.

Diferente de toda a sua nova “família”, Aretusa queria ser livre. Ela era livre. Gostava de morar no orfanato. Tinha amigos lá, Eli era o mais velho e o mais briguento. Tinha também o sorriso mais bonito. Calissa era a mais quietinha, e tinha a risada mais gostosa. Em qualquer oportunidade tentava trançar seu cabelo rebelde. Eles tentavam escapar juntos, quando conseguiam ficavam nas ruas juntos, eram trombadinhas e golpistas juntos, quando eram pegos iam para a enfermaria juntos… A vida era difícil, mas, eles eram felizes.

Seus sonhos era ser adotado. Quando finalmente aconteceu com ela, seus amigos não se aguentavam de felicidade. Ela criou grandes expectativas de alguém cantar músicas de ninar na cama, comerem juntos, fazerem compras no mercado, até as broncas ela desejava. Quando ela se deparou com a realidade, seus dias foram cinzas por anos. Sua casa se parecia com o orfanato, entretanto, era um pouco mais cruel. Lá, ela estava sozinha. Aos poucos, ela deixou de ser livre para se tornar, a casca de uma pessoa. Era o único jeito para pessoas como ela se livrar das surras.

Ao longo dos anos, ela ficou anestesiada. era como se sua luz fosse se apagando. Uma única pessoa deixava sua existência um pouco melhor. O jovem Meyer sem sobrenome era o Boticário da cidade. Vendia todo o tipo de remédio e bugigangas.

Certo dia do mês de Mohí, Aretusa assistiu uma apresentação de suas histórias na praça da cidade. Ele se apresentava em uma espécie de carruagem bem antiga, com uns personagens na mão. Quando terminou ele foi recolher alguns trocados do público. Deve dizer que quando ele estava fora da carruagem, a uns 20 passos, ela entrou entrou.

Nunca havia visto nada igual. Papéis estavam espalhados por todo lugar, junto com uma maleta aberta, ao lado do improviso de uma cama, com uns frascos organizados. Havia potes com dentes dentro, com plantas e com líquidos coloridos. Os personagens das histórias estavam jogado no canto oposto a porta. O teto daquela casa ambulante era cheio de pequenas pedrinhas brancas e pontiagudas, que, quando o sol encostou nelas, feixes de luz foram espalhados por todos os lados.

Ergui minhas mãos tapando o sol que invadia a pedra. Queria capturar aquele pequeno pedaço de luz. Como eu não vi outra maneira simplesmente arranquei uma das pedras junto com o cordão que a segurava. Quando coloquei o meu pé fora da carruagem o contador de histórias me viu. ficamos nos encarando por uns 3 segundos. Eu, segurando no batente da porta com um pé no chão e o outro na escada. Ele, com as mãos nos bolsos guardando os trocados. Passado esses segundo do choque inicial, eu o escutei gritando: EI. QUEM É VOCÊ?

Bom, eu não sei o que ele fez depois, afinal, já estava correndo. Graças ao festival de colheita que se aproximava a aglomeração me ajudou a esconder. Fiquei em um dos becos da cidade. aquele contador passou por mim. eu o assisti tentando desviar das pessoas, correndo com uma mão segurando a cartola na cabeça. Foi engraçado vê-lo atordoado. Limpei uma maçã verde (peguei de uma das bancas enquanto corria) na lateral do vestido e a comi, estava esperando não ver o mercador antes de sair.

Eu passei pela praça e estava pegando o caminho de volta a hospedaria quando ele segurou meu braço e me puxou. Olhei em volta tentando encontrar alguém para me ajudar. Pasmem, não havia ninguém…

-Sua trombadinha. O que foi que você roubou?

-Eu na… eu não roubei nada, senhor.

-Vi você saindo da minha carruagem. O que você roubou?

Geralmente quando qualquer coisa que disser te colocará em problemas, é melhor não dizer nada. Ele já estava meio ofegante da corrida, mas, acho que a vermelhidão do seu rosto não era pelo mesmo motivo.

-Vamos ver se você não irá dizer aos guardas.

O Boticário começou a me arrastar pelo braço, estávamos voltando para a praça, provavelmente para onde alguns dos guardas mais jovens estavam conversando. Eu não me opus a ideia. Este vestido já estava velho, com alguns rasgos nas extremidades da saia. Eu só precisei destruir um pedaço da manga. O toque final foi fácil, era a nossa arma secreta no orfanato.

Ele nem olhou para trás, estava com tanta raiva que se dirigiu a passos largos para os guardas. Antes que um deles se virasse para a nós dois eu me joguei no chão.

-NÃO, POR FAVOR, POR FAVOR. EU PRECISO DE AJUDA - O boticário me olhou perplexo. O grupo de guardas se aproximou da cena. Um deles se ajoelhou ao meu lado.

-O que está acontecendo aqui? - o que estava ajoelhado perguntou.

-Ah Ace, este senhor, ele… Eu só estava assistindo a apresentação. - as lágrimas estavam pingando no meu vestido - Eu fui Parabenizá-lo e ele tentou… Eu não consigo nem dizer, foi tão assustador.

Eu me escondi em seu peito, mas, não antes de olhar o rosto do contador de histórias. Ele estava abismado.

-O QUE? NAO ACREDITO QUE VÃO ACREDITAR NELA, ELA ESTÁ CLARAMENTE MENTINDO.

-Levem ele para a cela. - disse Ace.

-MAS É MENTIRA, EU NÃO FIZ NADA ELA QUE

Um soco no estômago o interrompeu. Antes que ele pudesse recuperar a fala os guardas já estavam arrastando-os. Ace me levou até a taverna, para conseguir um pouco de água, afinal, eu tinha passado por muita coisa. Ele disse que eu não deveria estar naquele tipo de lugar, que da próxima vez ele não vai estar lá para me proteger e bla bla bla. Ele me deixou no portão de casa e voltou para seus deveres.

Claramente eu não entrei. Voltei para a cidade poucos minutos depois dele. Quem estava na cuidando dos prisioneiros hoje era Dian. Quando cheguei, ele estava escrevendo alguma coisa importante. Ele franzia a testa quando era algo importante.

-Dian, ainda bem que você está aqui. - eu me esforcei para parecer angustiada

-Oi Are, o que foi?

-O Ace prendeu um amigo meu agora a pouco e eu não sei para onde o levaram.

-O cara da cartola? Achei que ele tinha tenta

-Você conhece o Ace, deve ter ficado com ciúmes. Esse cara é meu amigo, o Ace deve ter visto e feito essa confusão. Não há motivos para ele estar preso. Dian, você sabe que eu não pediria esse tipo de coisa se eu não estivesse desesperada.

Ele pareceu pensar por um tempo antes de pegar a chave da cela e se levantar.

-Tudo bem, mas ele vai ficar uma fera comigo.

-Nao precisa falar que você o soltou, fala que ele foi transferido para outro lugar.

Dian respirou fundo e foi até as celas. Em poucos minutos ele estava de volta com o Boticário. A cartola estava em sua mão direito e as roupas estavam amarrotadas, uma nova coloração estava em sua face, um roxo o olho esquerdo.

-Desculpe por toda essa confusão, Eli. O Ace ele… Sinto muito. - Eu o abracei. Ele ficou parado, meio desconfortável com a demonstração de carinho inesperada.

-Achei que o nome dele fosse Meyer.

-Ham… é que Eli é o nome do meio.

Nós saímos daquele lugar em silêncio por um tempo. quando estávamos longe o suficiente para que não fossemos ouvido ele falou primeiro.

-Sua cínica. - ele me acusou

-Você devia ser mais grato a quem te tirou da prisão sabia?

-Foi você que me colocou lá.

-Você se colocou lá. se não tivesse corrido atrás de mim e me levado aos guardas isso não teria acontecido.

-Se você não tivesse me roubado isso não teria acontecido.

eu abri a boca e fechei umas duas vezes antes de responder.

-Não é roubo se não é de valor.

-É SIM. Afinal o que você pegou?

...

Devo dizer que este foi o começo de uma bela amizade. Aquela conversa durou em torno de uma hora, o tempo que demorou para chegarem a carruagem. Ao final do diálogo, fizeram um acordo. Essa amizade teria durado a vida toda se não fossem os acontecimentos futuros…

Dia 57 do mês Zolk, 852

Nome: Aretusa Barone

Origem: Pélago do Farol

Filiação: desconhecida

Data de nascimento: desconhecida

O Capitão Jolly Roger Barone comandante da frota de navio de Catingan declara que uma criança (menina), com poucos meses de vida foi encontrada, próximo a uma ilha não mapeada, a deriva no oceano. Tanto sua origem, quanto sua filiação são desconhecidos. O lugar mais próximo de seu encontro foi o Pélago do Farol, sendo atribuído a sua origem.

Foi solicitado que o nome permanecesse como o apelidado pelos marinheiros, Aretusa. gentilmente o capitão cedeu seu sobrenome Barone para a criança. Ela será acolhida a uma de nossas instituições religiosas, até que ela seja adotada.

Kazan, Merian de Diretora

Dia 11 do mês Nótan, 861

Nome: Aretusa Barona

Origem: Pelago do Farol

Filiação: desconhecida

Data de nascimento: desconhecida

Idade correlata: nove anos e meio

Declaro por meio deste que a menina Aretusa Barona, que chegou aos nossos cuidados em 57 do mês Zolk, de 852 foi escolhida para ser um membro da família Antov. Devido ao fato de que não aceitamos devoluções, os indivíduos representantes das famílias tiveram acesso a ficha de comportamento da criança. Aretusa Barona não faz mais parte dos nossos cuidados.

Kazan, Merian de Diretora


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