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A Ordem dos Elementais_Caos

  • Foto do escritor: Ceres Margo
    Ceres Margo
  • 18 de mar. de 2020
  • 2 min de leitura

Capítulo 4

Para vocês se localizarem, estamos na metade do mês Nóton. Aretusa caminha abraçada ao seu próprio corpo para tentar espantar o frio. Seus pés tropeçam a cada passo, não se pode exigir muito da visão quando se está de madrugada.

“ Droga. Agora estou com o joelho ralado.

-vamos logo Aretusa - disse o pai. Ele estava a alguns passos segurando uma lamparina.

Meu vestido estava prendendo nas raízes soltas e nos galhos ao redor. meu sapato com certeza não ajudava na caminhada.

Demorou um pouco até chegarmos na estrada. Quem acorda alguém no meio da noite para arrastar ela por aí? Se eu soubesse que iria andar tanto teria colocado o sapato de Ava.

-pai, onde estamos indo? - eu perguntei pela segunda vez

-já estamos chegando. Prometo que não vai demorar.

A noite estava sem lua, era nessas noites que os animais saiam para caçar. Não que tivesse sobrado muitos deles, mas, os que restaram estavam mais famintos. Eu posso garantir que com as pessoas na rua, eles esperavam um banquete. Andei um pouco mais rápido para segurar sua mão. O pai parou e me olhou por um tempo, então, ele segurou a minha mão também. Nossos passos partiam o restante das folhas que sobreviveram ao fogo, mas, agora estavam espalhadas pelo chão. pegamos o caminho para o centro da cidade. Ao longe, podemos ver algumas fracas fogueiras daqueles que tentavam afastar o frio.

Quando paramos cais ele inclinou sua cabeça para que eu pudesse ouvi-lo. Duas pessoas estavam se aproximando a passos largos.

-Aretusa, eu preciso que seja forte agora.

-por que? pai o que está acontecendo?

Ele respirou fundo antes de falar. - você é uma menina muito doce, mas… não é minha filha. E agora eu preciso ajudar a minha família.”

Eu sei, eu sei. Não deveria defendê-lo, e eu não vou. Entretanto, prometi ser honesto em meus relatos e... naquele momento, tanto o coração dele quanto o dela se partiram. Dessa vez, tinha sido uma dor diferente, daquelas que podem até diminuir, mas, nunca vão sumir completamente.

“Quando eu entendi o que estava acontecendo eu tentei me soltar, mas, era tarde demais. Um dos homens que se aproximaram me segurou pela cintura e me levantou. Parecia que ele estava levando um saco de batatas. O outro homem estendeu uma das mãos para Jord e deixou umas sete, oitos moedas com ele.

-aqui está, como o combinado.

- ME LARGA SEU ANIMAL.- Eu tentei me soltar de todo jeito. Bati, esperneei, tentei tirar suas mãos de mim, mas, foi tudo em vão. Logo o outro homem nos alcançou.

-controle essa menina, ou eu vou dar um jeito nela.

Minha última tentativa foi mordê-lo.

- Droga. - ele me jogou no chão. Eu caí de costas, parecia que o ar se recusou a entrar em meus pulmões por um tempo. - SUA VA…

A última coisa que me lembro além da dor e do som de algo se quebrando, foram dos seus olhos, quando aquele que estava me carregando se ajoelhou ao meu lado, segurou minha cabeça e bateu ela contra o chão. Depois disso, foi uma sucessão de silêncio e vazio.”


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