top of page

A Ordem dos Elementais _Caos

  • Foto do escritor: Ceres Margo
    Ceres Margo
  • 18 de mar. de 2020
  • 7 min de leitura

Capítulo 3

Foi na calada da noite de 80 do mês Gokv em 867, que alguns homens saíram das cidades em direção ao campo. Aconteceu em todos os 20 condados de Catingan. Eles se dirigiram as plantações com tochas e todo tipo de substância venenosa que encontraram. A terra se tornou apenas fumaça e cinzas. Queimaram também algumas florestas, além dos silos em que os grãos estavam armazenados. Nos condados mais afastados da capital, eles invadiram as casas e mataram os homens, ainda dormindo. As mulheres e as crianças estavam em prantos, fugindo de suas casas sem nada mais do que a roupa do corpo, eu ainda consigo escutar os gritos cada vez que fecho os olhos. Em menos de uma noite, um reino caiu.

A rainha de Catingan não precisou de muito para destruir o reino. Pouco antes dos ataques começarem, ela fugiu com os homens de Cetus e voltou para sua terra natal. Os planos dela precisavam do máximo de ajuda possível. Eu nunca a subestimei, vocês não imaginam a força que a vingança pode ter. Em menos de um mês, o reino estava em ruínas. Os nobre até tentaram se esconder atrás dos muros do castelo, mas, este não foi o suficiente. Os aldeões invadiram o castelo e o saquearam, as escadas foram banhadas com sangue. Eles sempre estavam procurando alguém para descontar a raiva, eu sinto muito pelos trabalhadores inocentes que lá estavam, os homens não tiveram piedade. Mesmo os nobre que conseguiram fugir não sobreviveram por muito tempo. Toda a linhagem do rei Eucan, o impiedoso foi dizimada da terra, e ela bebeu seu sangue de bom grado.

Catingan virou uma terra sem lei. O povo estava em miséria. Viviam nas ruas, comendo os animais mais imundos que encontrassem, os ratos foram os que mais sofreram. Algumas mães afogaram seus filhos ao nascer, para nao ve-los perecer aos poucos. Outras, preferiram não desperdiçar a carne. Os abutres, como foram chamados os mercadores de escravos, se espalharam por todos os portos. Eles estavam a espera das pessoas que entraram em desespero por apenas alguns trocados de slor.

Não foi diferente em Feyr. A única comida que restou foram as das casas. A maior parte da floresta se foi, bem como seus animais. Algumas pessoas que conseguiram acordar durante o incêndio tentaram apagá-lo, mas, já era tarde demais. Fora tudo reduzido a cinzas. Os navios nos portos também foram incendiados, em sua maioria, já haviam afundado.

Os Antov conseguiram sobreviver por um tempo, mais ou menos 20 dias. Então a comida acabou. Eles tentaram diminuir o consumo ao máximo, tentaram racionar a comida e fazer rodízios de quem comeria no dia, até ficarem sem opções. Sem a floresta -que fornecia tanto trabalho, quanto alimento- eles estariam falidos. Acabaram ficando tão miseráveis quanto aqueles que moravam nas ruas. A única alternativa seria… Eu nao consigo nem descrever, vamos olhar a cena mais de perto.

“ Ainda estava escuro quando sai. O galinheiro ao lado da casa já estava silencioso faz um tempo. Quando entrei, a única galinha de lá me olhou como se já soubesse seu destino. Estava tão fraca quanto nos. havia apenas pele e osso, mas, era o que tínhamos para hoje. Ela tentou correr, mas, nao foi tao longe. Quebrei seu pescoço de forma rápida. quando terminei de prepará-la, os meninos acordaram. iriam para a cidade na parte da manhã, em busca de alimento ou dinheiro. Se juntar tudo o que eles conseguiram -provavelmente de forma ilegal- em um mês, podemos até comprar ovos ou batatas para três dias.

-Ollie, levanta. É dia de tomar banho. - ela parecia nem ter me escutado. - Ollie, levanta.

Eu fui ate sua cama. Ela estava coberta até a cabeça. Quando toquei em seu braço, ela estava gelada. Ela também não respirava. Ollie havia partido. Fechei a janela, seu espírito não estava mais ali, não havia necessidade de deixá-la aberta.

Não consegui chorar. as lágrimas simplesmente não saíram. já esperávamos que isso acontecesse, só não sabíamos quem seria o primeiro. estávamos morrendo, um a um. estava visível os estrago nesses últimos dias. seu braço estava quase do tamanho do punho, que já não era muita coisa. seu abdômen estava escavado, dava até para contar as costelas se quisesse.

sentei na cama, ao lado de Jord. ele havia acabado de acordar.

-Ela está morta. - nao tenho certeza se consegui dizer em voz alta já que ele nao respondeu nada.

-Ela está morta - disse um pouco mais alto.

-É, eu ouvi. - ele ficou em silêncio por um tempo- qual delas?

- Ollie.

Mais silêncio. nao sei quanto tempo se passou antes de falarmos algo.

-eu vou enterrá-la junto com Annika, na floresta.

-eu nao aguento mais isso. - eu deitei na cama. precisava deitar um pouco.

- e o que você quer que eu faça? - jord perguntou. De fato, não havia nada a ser feito.

- Que de um jeito nessa situação.

Ele não disse nada. Nem precisava. Estamos todos condenados.

********

eu nao aguento mais isso. de um jeito nisso. como se eu pudesse acabar com essa maldita fome. eu tambem nao queria estar passando por isso.

-você sempre foi a minha favorita. Sua alma era a mais linda de todos os seus irmãos.

Quando terminei de enterrá-la, coloquei algumas raras flores que cresciam na beira da estrada em cima daquele que deveria ser seu túmulo.

parecia que a cidade havia sido saqueada. algumas portas estavam jogadas na rua, havia coisas jogadas do lado de fora, alguns mortos espalhados pelos becos. No porto, havia um único barco. A atmosfera ficou um pouco densa quando me aproximei dele. Mas, eu tinha que resolver essa situação.”

Ele não se importou em chegar atrasado para o jantar, não era o dia dos meninos comerem mesmo. Agora que o número das meninas diminui, sempre sobrava um pouco de ensopado. Elas jantaram em silêncio enquanto os garotos esperavam na sala, caso sobrasse algo para comerem.

Naquela mesma noite, Jord apareceu no porão onde Aretusa dormia. Ao longo dos anos, poucas pessoas se arriscaram a ir lá. Ava aparecia de vez em quando deixado uma sobremesa para ela depois das surras. Jord deixava algumas velas, já que ela tinha medo do escuro. Quando Meyer estava na cidade ela ficava por lá também, fazia parte do acordo deles. Entretanto, naquela noite foi diferente. Eu conseguia ouvir seus passos, que, apesar de silenciosos ecoavam por toda a casa.

Quando acordaram pela manhã, Jord apareceu com alguns legumes velhos, ele foi o primeiro a acordar. Na verdade, o Pai mal dormiu aquela noite. O que tinha lá era o suficiente para todos. O Pai estava sentado na poltrona, os olhos estavam longe, talvez em um lugar que não pudesse ser alcançado. May acordou no horário de sempre, antes das crianças. Ela se surpreendeu ao encontrar seu marido já desperto.

-de onde é toda essa comida? - vou ser bem sincero, não tinha mais do que algumas batatas e cenouras.

-eu comprei.

Ele colocou o charuto na boca.

-comprou como homem?

Silêncio.

-vou acordar aquela garota para começar a preparar as coisas.

- ela se foi. - seus olhos estavam marejados - não vai encontrá-la aqui.

- o que você… o que quer dizer? - a mãe começou a ficar assustada.

- eu fiz uma coisa horrível May.

Ele respirou fundo. limpou uma das lágrimas que escorreu por seu rosto. O pai estava de costas para ela. -eu fiz uma coisa horrível. - repetiu. A mãe se aproximou dele. Quando mais novos e apaixonados, ela tinha o costume de colocar a cabeça em seu ombro e entrelaçar seus dedos nos dele. Isso fora ante a cama esfriar. Agora, mal se tocavam. Não suportavam ficar perto um do outro. Ela estendeu a mão para alcançá-lo, mas, pensou melhor. Mesmo que ela o tivesse tocado, ele estava longe demais para que qualquer um conseguisse chegar perto.

-você fez o que foi necessário. - ela disse o mais suavemente que conseguiu.

- É. eu sei.

Desde aquele dia, seus olhos não conseguiram voltar ao normal. estavam sempre distantes, fitando um horizonte que nunca alcançou. O pai não explicou o que aconteceu. Ninguém da família ficou sabendo o que de fato aconteceu. O que sabiam é que Aretusa havia partido. A partir daquele dia o nome Aretusa nunca mais foi pronunciado naquela casa.

Desculpem amigos, mas, essa parte ficou um pouco sombria. Já já eu conto o que aconteceu com ela, por enquanto vamos falar de algo um pouco mais leve. Eu imagino que vocês estejam com alguma duvidas, entao vamos la.

  1. Quem é Ace? Esse é um bom questionamento, vamos começar por aqui.

Desde criança, Aretusa percebeu que pessoas próximas dos guardas não se metiam em problemas. A primeira vez que pisou em Feyr ela tratou de virar amiga de um dos escudeiros dos oficiais. Esse escudeiro (Ace) começou a ter sentimentos por ela, totalmente contrários com o que Aretusa sentia. Com o tempo ele conversou com Jord e ambos decidiram que quando ela fizesse 16 anos se casaria, claro que, por uma quantia bem avantajada, na época, ela tinha 14 anos. Esse com certeza não era o plano dela. Quando fizesse 16, iria embora e não havia como ir embora de lá casada. Infelizmente, algo aconteceu antes disso. Ace foi mandado para a capital, junto com os outros guardas para tentar proteger o rei. Ela ficou triste com sua partida, ele se tornou um bom amigo com o tempo, mas, nunca mais tiveram notícias dele. Talvez fosse melhor assim, ela espera que ele tenha achado o destino dele afinal.

  1. Qual o acordo entre Meyer e Aretusa?

Sendo um boticário, ele estava sempre viajando para outras províncias. O acordo era que sempre que ele fosse a cidade poderia dormir na hospedaria de graça, em troca, quando estivessem no mês Nóton ele a levaria a uma cidade segura e arranjaria um emprego para ela. Uma curiosidade: ele foi a melhor pessoa que ela conheceu. um verdadeiro cavalheiro. Ele também gostou muito de conhecer ele. Eles nunca disseram palavras doces um para outro, mas, sempre diziam: Te vejo em dois meses? e Até dois meses, um para o outro. Te vejo em dois meses queria dizer que de uma forma ou de outra eles se voltariam a se ver. Voltar a se ver era a forma deles de dizer eu te amo, no sentido mais inocente da palavra.


Comentários


Destaque

My Pink World
(Written by Phoebe Waller-Bridge)

© 2023 por Amante de Livros. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook B&W
  • Twitter B&W
  • Google+ B&W
bottom of page