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Até os Ossos - Uma Odisséia

  • Foto do escritor: Ceres Margo
    Ceres Margo
  • 2 de mai. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 13 de jun. de 2024



  Do mesmo diretor de “Call me by your name” e “Suspiria”, Luca Guadagnino nos traz uma nova reflexão sobre amor e autoconhecimento, com uma pitada de terror e estranheza. Até os ossos, filme baseado no romance de Camille DeAngelis, foi lançado em 2022 e classificado como gênero drama, terror e romance. 


   A narrativa se passa na década de 80, onde a jovem Mareen (interpretada por Taylor Russell) anseia por estabelecer relações sociais, sendo recém chegada na cidade e aparentemente mudando-se de tempos em tempos. A princípio, você começa a estranhar o comportamento da personagem, sendo esquiva e reclusa, transparecendo viver com um pai “controlador”.


   Em uma determinada noite ela foge de casa para ir até uma festa do pijama de uma amiga da escola. Ao que parece, começa a rolar um clima entre ela e a amiga e finalmente, quando você começa a desvendar Mareen, acontece o impensável. Mareen simplesmente arranca o dedo de sua colega, ela o devora e depois foge de volta para casa.


  Assim que seu pai a vê - desorientada e suja de sangue - eles começam a juntar as coisas, indo em busca de outra cidade. Um dia após seu aniversário de 18 anos, Mareen acorda sem sinal de seu pai em casa, tendo apenas alguns dólares, sua certidão de nascimento e uma fita contando um pouco de sua história. Assim, Mareen decide ir atrás de sua mãe, embarcando em uma jornada pelos Estados Unidos da América. E assim, o filme começa. 


  Apesar do canibalismo presente no filme, não acredito que esse tenha sido o cerne do filme. A primeira cena em que ele está presente é chocante, inesperada e rápida. Ao meu ver foi algo como: sim, ela é canibal, superem. Ao longo da jornada, ela encontra outras pessoas que têm a mesma compulsão, a mesma ânsia por carne humana, como ela. Alguns bons, alguns ruins.


   Acredito que o filme trouxe algumas reflexões, como: quem exatamente você é quando está sozinho no mundo? Mareen se viu sem ninguém, tendo que se tornar adulta e independente do dia para a noite, sem saber em quem confiar, e sem saber para onde estava indo também. Por ser sempre reclusa e sem amigos (por motivos óbvios) acredito que ela tenha se forçado a ser daquele jeito e agora, sem ninguém ela pode começar a se descobrir. Quem ela iria se tornar agora que estava sozinha no mundo?


  Talvez a fome que eles sentiam era de alguma outra coisa. Uma fome de contato humano. Todos os personagens apresentados no filme eram solitários, reclusos e estranhos. É peculiar que apesar de serem tão solitários, eles ansiavam por encontrar uma conexão entre aqueles que também eram diferentes. Eles queriam participar, serem incluídos em algo. Tendo em vista que comer é algo social, que aproximam as pessoas, até que faz sentido aqueles devoradores quererem conhecer seus iguais.

 

   Ao longo do filme Mareen conhece um rapaz chamado Lee (Interpretado por Timothée Chalamet), e eles começam a andar juntos e a “caçar” juntos. Com o passar do tempo eles desenvolvem um romance, apesar de a princípio serem bem diferentes um do outro. Ao encontrar outro canibal, descobrimos um detalhe perturbador dessa prática: devorar até os ossos. Apesar de Mareen duvidar que seja possível e sentir revolta pela prática, observamos Lee ficar distante, indo para outro lugar. Um dos canibais diz ao Lee: Espero que o amor te salve. Será? Será que podemos mesmo ser salvos pelo amor?


   Eu acredito que não. Apesar do filme mostrar que o amor é uma ponte para o autodescobrimento e crescimento pessoal, não acredito que ela possa “salvar" alguém. Acredito que tem coisas que só você pode fazer por si mesmo. 


   Se pensarmos no canibalismo como essa ânsia pelo contato humano, essa fome por amor, por algo que os fizesse se sentir menos solitários, podemos deduzir também que pessoas famintas acabam comendo qualquer coisa. O filme traz esse contraste do belo e do grotesco, do romance e do visceral. 


  Por fim, deixo aqui minhas considerações: Apesar do filme ser um pouco arrastado, você consegue ver o crescimento dos personagens. O filme também tem algumas reviravoltas chocantes. Quando você foge do seu passado, no fim será ele que está te esperando. E finalmente, minhas frases preferidas “O mundo do amor não quer monstros nele” e “Me devore até os ossos”.


Musica preferida da vida:




Livro até os ossos: https://a.co/d/8wDBVGa


Mais algumas informações sobre o filme no site:





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