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Cacareco Girl

  • 6 de mai.
  • 3 min de leitura

Com certeza, São Paulo ocupa hoje o meu top 1 quando o assunto é centro cultural. Neste último fim de semana, estive na cidade para assistir ao show do The Weeknd, no Morumbi — que, aliás, estava simplesmente impecável. Eu não fazia ideia de que a Anitta faria a abertura, e descobrir isso foi uma surpresa tão inesperada quanto bem-vinda.


Sempre digo que Campo Grande não tem nada para fazer — mas, pensando melhor, percebi que estou

falando especificamente de vida cultural. Alguns amigos meus, quando dizem o mesmo, estão se referindo à vida noturna. Eu até gosto de sair, dançar, me divertir… mas a verdade é que a boemia nunca foi muito o meu lugar. Minha presença nesses ambientes é quase um evento raro.



Inclusive, refletindo sobre isso, entendi algo curioso sobre mim: trabalhar à noite acabou sendo uma escolha que faz sentido. Quando trabalhava à tarde, sentia que o dia inteiro era consumido pelo trabalho — e, no fim, parecia que eu só existia para aquilo. Já trabalhando à noite, ganho o dia. Consigo estudar, ler, assistir séries, me exercitar, ir a cafeterias, sebos, livrarias… viver, de fato.


Essa viagem também me trouxe outra constatação importante: eu sou uma mulher cara. E isso significa, muito provavelmente, que vou precisar passar em um concurso e ganhar pelo menos o dobro do que ganho hoje.


Durante a viagem, revisitei alguns pontos turísticos acompanhando uma amiga que também foi ao show: Liberdade, Casa das Rosas, Japan House, Avenida Paulista… também passamos pelo Brás e pela 25 de Março — inclusive, meu look do show nasceu inteiramente nesse dia.





















Mas foi na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, que algo realmente mudou dentro de mim.

A feira de antiguidades acontece aos sábados, das 10h às 19h. Chegamos por volta das 11h30 e, assim que pisei ali, senti uma familiaridade imediata. Era como se eu já conhecesse aquele lugar — ou talvez como se sempre tivesse pertencido a ele. Foi o tipo de cenário que eu imaginava frequentar quando era criança.


Acho que foi o momento mais feliz da viagem. Não apenas pela companhia ou pelo ambiente, mas pela sensação de pertencimento. Durante muito tempo, senti que não havia, em Campo Grande, alguém com quem eu realmente me conectasse — não por falta de beleza, mas por afinidade intelectual. Em São Paulo, pela primeira vez, tive a sensação de estar cercada de pessoas que compartilhavam dos mesmos interesses.

A feira era um universo à parte: móveis, joias, pratarias, livros, discos de vinil, toca-discos, moedas antigas, relógios, louças, quadros, câmeras, óculos, gravatas… tudo carregado de história.










































Só na parte dos LPs, passamos quase uma hora e meia. Eu estava em busca de um disco específico. No dia anterior, já tinha procurado bastante na Paulista e acabei levando um dos Engenheiros do Hawaii e um da Gal Costa — mas ainda faltava ele, Cazuza.


Como um dos meus artistas favoritos, fazia sentido que meu primeiro vinil fosse dele. E finalmente encontrei. Na verdade, encontrei três. Ouvir “Codinome Beija-Flor” pela primeira vez em um toca-discos foi mais do que ouvir música — foi viver um momento. Claro que levei um disco dele comigo, e também um do Tim Maia, que ocupa um lugar quase tão especial quanto.


Outro achado foi uma câmera fotográfica da década de 1970, da marca Zenit — conhecida como um verdadeiro “tanque de guerra” da fotografia. O vendedor pedia R$400, mas, depois de negociar, consegui por R$350. Ela veio com lente, tirante e case. Totalmente manual, funciona sem bateria (exceto para o flash). Ainda estou aprendendo fotografia, mas sinto que fiz uma escolha certeira.



Na feira, ainda conversamos com algumas pessoas sobre fotografia analógica e revelação de filmes em preto e branco. Sinceramente, só faltou um copo de sangria — vimos vários, mas nunca descobrimos de onde vinham. Também paramos em uma barraca de comida portuguesa e provamos um bolinho de bacalhau. E a pimenta… definitivamente memorável.


Por volta das 14h30, saímos para almoçar. Caminhamos por Pinheiros até encontrar um lugar que realmente nos chamasse atenção — e encontramos. O Bosco foi, sem exagero, um dos restaurantes mais bonitos em que já estive. A lasanha estava entre as melhores que já comi na vida. Minha amiga pediu uma bebida autoral; eu fiquei com uma taça de vinho tinto. Finalizamos com uma torta de chocolate com avelã simplesmente perfeita.


















Encerramos o dia com um passeio pela Oscar Freire. Em outra ocasião, eu teria aproveitado mais — mas, (in)felizmente, meu dinheiro já tinha ficado na Benedito Calixto.


Em julho, pretendo voltar com meu irmão. Quero reviver a feira, voltar ao Bosco e explorar novos lugares. Porque a verdade é que ainda falta muito para eu poder dizer que conheço São Paulo.

E, talvez, seja exatamente isso que me faz querer voltar.


E você, també é uma cacareco girls? Entra no meu Pinterest, tem muito mais fotos por São Paulo.

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