top of page

Festival Internacional Arabesk de Danças

  • 27 de fev.
  • 3 min de leitura

Sempre fui tímida para tudo. Lembro de quando comecei a fazer karate. Teria uma apresentação na frente de todos os alunos no fim daquele mês. Minha fase de luta durou exatamente 29 dias. Apenas o fato de me olhar no espelho enquanto treinava era motivo de vergonha. Quando iniciei no teatro, justamente para trabalhar esse medo, lembro de sentar em uma cadeira enquanto todos me olhavam e aplaudiam. Durou no máximo três minutos, mas que, para mim, foram uma eternidade. Quase

consegui sentir dor física ao ser vista. imagine a minha surpresa ao subir no palco pela primeira vez. 


Meu coração estava a mil, minhas pernas tremiam, a boca estava seca. É engraçado pensar que o silêncio era ensurdecedor, porém naquele momento ele era. Foi o momento mais assustador e excitante da minha vida. Quando eu entrei no palco e as luzes quase me cegaram, eu respirei fundo, sorri e comecei a dançar. E detalhe, dançar com a barriga de fora, já que estava aprendendo dança do ventre. 


Hoje em dia é engraçado pensar que o medo de errar era maior do que o medo de ser vista. Na verdade, acredito que na época, eu ansiava que me enxergassem. Porém aquela sensação de errar, na frente de todos, por mais que não soubessem meus passos, por mais que acreditassem ser tudo parte da dança, aquela sensação afundou meu peito de tal forma que, só fui me apresentar novamente quase 1 ano e meio após o ocorrido. 


Depois de, em torno de 3 anos na dança, eu posso dizer que realmente sinto a música, que realmente me divirto dançando. Deveria ser o objetivo principal: diversão. Para mim, dançar é apenas um hobby, mas, eu coloquei em minha cabeça que eu deveria ser, não apenas boa, mas excelente. 


Eu estava completamente obcecada. Queria a excelência ou nada, era assim com absolutamente tudo. Olhando para trás, eu consigo ver como me atrapalhou. Não tem problema querer ser boa, ou fazer bem feito, mas, por que ser excelente em algo que deveria ser apenas divertido? Perdi muito tempo me cobrando (foram alguns aninhos de terapia), muito tempo tentando dançar cada passo de forma perfeita, exatamente no tempo da música. Passos que, apesar de serem excelentes, eram rústicos, mecânicos. Apesar de acertar o movimento exato, eu tirava a leveza, a espontaneidade e a emoção e, querendo ou não, a arte não tem espaço para o mecânico. Tudo o que nos move envolve sentimento, coração, alma. Pela primeira

vez depois de anos na dança, eu senti que dancei com o coração, mais do que dancei com os pés. 


Sem contar que, eu conheci tanta, mas tanta gente interessante. Vieram de Minas Gerais, Argentina, São Paulo, Brasília. Foi um conhecimento que nunca vou conseguir reproduzir. Foram tantos tipos de dança diferente, de ritmo, de música, de história. artistas nacionais e internacionais marcaram minha trajetória com o festival Arabesk. Organizado pela minha professora, que, além de excelente com pessoas, também foi excelente organizando tantos eventos. Sou muito grato pelo que a música me trouxe: arte, amigos, conhecimento e acima de tudo, liberdade. Foi essa liberdade que me motivou a, faça chuva ou faça sol, sair de casa ou ir pós plantão, sozinha ou acompanhada estar lá, toda semana, aprendendo um pouquinho de cada vez.

Um pouco do nosso festival
Um pouco do nosso festival
Com estilo bem tradicional, Alejandra Fernández - Dabke
Com estilo bem tradicional, Alejandra Fernández - Dabke
Workshop com Sheila Majul, diretamente da Argentina
Workshop com Sheila Majul, diretamente da Argentina
Douglas Carvalho encerrando o ultimo workshop do festival.
Douglas Carvalho encerrando o ultimo workshop do festival.
Além de aula de dança, também foi uma aula de historia. Um imenso prazer conhecer Leticia Soares
Além de aula de dança, também foi uma aula de historia. Um imenso prazer conhecer Leticia Soares

 
 
 

Comentários


Destaque

© 2023 por Roberta Costa. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Pinterest
  • Instagram
bottom of page