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Quando a viagem começa com perrengue (e termina em paraíso)

  • 5 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 7 de mar.

O que nos atraiu para lá, antes de qualquer coisa, foi a beleza quase inacreditável das praias. Águas claras, paisagens paradisíacas e a promessa de dias tranquilos em uma casa à beira-mar, relativamente próxima da capital e com fácil acesso às outras praias da região. Parecia o cenário perfeito para alguns dias de descanso. A ideia de acordar com o som do mar, caminhar alguns passos até a areia e terminar o dia vendo o céu mudar de cor sobre o oceano parecia exatamente o que precisávamos.


Mas a chegada foi… digamos, um pouco mais caótica do que imaginávamos.





Uma chegada digna de filme

O primeiro desafio já começou no relógio: só poderíamos entrar na casa depois do meio-dia, e nosso voo havia chegado ao aeroporto às duas da manhã. Com muitas horas pela frente e nenhum plano muito definido, seguimos mesmo assim em direção à cidade. Foi aí que veio o primeiro estranhamento.


Ao entrar na cidade, parecia que tínhamos atravessado para dentro de um filme daqueles em que o tempo parou. As ruas estavam completamente vazias. Não passavam carros, não havia pessoas caminhando, nenhum barulho de crianças, nenhuma escola aberta, nenhum sinal de vida cotidiana. Em certo momento quase esperamos ver uma daquelas ervas-roladoras atravessando a rua, como nos filmes de faroeste.


Será que caímos em um golpe?

Dirigimos por quase duas horas até finalmente encontrar a casa onde ficaríamos. Dentro do carro ninguém falou nada em voz alta, mas todos pensamos exatamente a mesma coisa: será que tínhamos caído em um golpe? O portão estava apenas encostado, o proprietário não estava lá, havia lixo na frente da casa e, para completar o cenário de desconfiança, a fachada não lembrava em nada o que havíamos visto nas fotos do site. Se já estávamos cansados, naquele momento o clima ficou ainda mais pesado.


E a saga não terminou ali. Ainda levamos mais duas horas para finalmente entrar na casa, porque a equipe de limpeza havia se atrasado. Imagine o cenário: onze pessoas cansadas, sem dormir direito, com fome e lidando com o calor do litoral. Até hoje sinto um pouco de dó do proprietário que foi nos atender naquele momento. Apesar de tudo, ele acabou sendo o primeiro passo para que as coisas começassem a melhorar. Foi ele quem nos indicou um restaurante ali perto, simples, sem grandes pretensões, mas que acabou se tornando um dos primeiros bons momentos da viagem.


Pedimos um arroz cremoso com queijo e costela que estava simplesmente maravilhoso. Para acompanhar, um bom vinho. E foi curioso perceber como, conforme a comida chegava e o cansaço começava a diminuir, nossa animação também voltava. Às vezes, tudo o que a gente precisa depois de um perrengue é uma boa refeição.


Quando finalmente conseguimos entrar na casa, veio o alívio — e também a surpresa. Por dentro, ela era esplêndida. A decoração seguia perfeitamente aquela estética de casa de praia que mistura simplicidade com

aconchego: tons claros, móveis de madeira, tecidos leves e objetos decorativos que remetiam ao mar. Havia detalhes em fibras naturais, quadros com paisagens costeiras, luminárias que lembravam redes de pesca e uma sensação constante de leveza no ambiente. A arquitetura também valorizava muito a integração com a paisagem: grandes aberturas, janelas amplas e uma varanda voltada diretamente para o mar. A casa parecia respirar junto com a paisagem.


Os quartos eram amplos, bem iluminados e ventilados, e o melhor de tudo era a proximidade do oceano. O mar ficava literalmente a poucos passos da porta, talvez uns dez metros. Bastava atravessar o pequeno espaço entre a casa e a areia para já estar com os pés na água. Apesar da falta de movimentação de pessoas na região, havia algo muito especial naquela tranquilidade. A praia era tão vazia que, em vários momentos, parecia que estávamos em uma praia particular.







Uma cidade que acorda cedo

Com o passar dos dias também percebemos algo curioso sobre a região. João Pessoa e seus arredores não parecem ter uma vida noturna muito agitada. Pelo contrário: a impressão é de um lugar com um ritmo muito mais saudável e tranquilo. Em algumas das nossas caminhadas pela orla vimos pessoas fazendo exercícios às

quatro da manhã. Academias abertas, gente correndo, pedalando, caminhando… parecia que todos dormiam cedo para acordar ainda mais cedo. Uma cidade com um estilo de vida quase fitness.



O primeiro dia de praia

Depois de uma chegada tão turbulenta, decidimos que nosso primeiro dia de praia seria simplesmente para aproveitar a casa. Guardamos as compras, desfizemos as malas, tomamos banho de mar, enchemos a piscina. Em meio a esse ritmo mais lento de férias, fiz um pouco de yoga, tomei um banho de água bem gelada e, depois disso, dormi.


Mas dormi tanto, mas tanto, que só acordei quase na hora do almoço.

Mas, convenhamos, para quem está de férias… vocês vão me dar esse desconto.


Bom dia, Praia.
Bom dia, Praia.

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