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Liev Tolstói e Os Excêntricos Tenenbaums

  • Foto do escritor: Ceres Margo
    Ceres Margo
  • 15 de mai. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 30 de out. de 2024




  Em um dos meus romances preferidos, Tolstói começa a história com a seguinte canetada: “Todas as famílias felizes são parecidas, cada família infeliz é-o a sua maneira”. Não só a frase é dolorosamente real, como é quase palpável se tratando do filme “Os Excêntricos Tenenbaums” do diretor Wes Anderson, 2001. 


  O filme retrata a vivência de uma família tão disfuncional quanto genial. Não tem outra palavra, eram crianças excepcionais que se tornaram gênios, cada um amargurado e desiludido à sua maneira. 


   A família era composta por Royal e Etheline Tenenbaum, um advogado e uma arqueóloga. Seus filhos eram Chas e Richie e posteriormente Margot, adotada com 2 anos. Após a adoção decidiram se separar, apesar de estarem legalmente casados. Com o passar do tempo cada um dos filhos demonstrou um talento diferente. Chas tinha um talento natural para as finanças e fez fortuna desde cedo. Richie se tornou um tenista profissional, nunca perdeu uma partida, até sua aposentadoria precoce. Margot se tornou dramaturga. Após ouvir rumores que Etheline foi pedida em casamento, Royal voltou para a vida da família e por um breve período de tempo todos moram embaixo do mesmo teto novamente. 


  O filme conta não só a história da família e sua dinâmica, mas também conta a história individual dos tenenbaums. O enredo se desenrola através de capítulos ao longo do filme e sendo bem sincera, foi um dos melhores filmes que eu já assisti. Você consegue enxergar o drama, o romance, a confusão, o humor bizarro e a melancolia em um plano de fundo sobre todos eles. 


  Minha favorita da vez foi a Margot, interpretada pela atriz Gwyneth Paltrow. Acredito que ela sempre se sentiu diferente da família por ser adotada (e pelo pai constantemente lembrar a todos disso) e mesmo assim era tão Tenenbaums quanto os outros. Ele não tentou se encaixar na família, acho que sempre soube que nunca precisaria, mas, acredito que isso tenha a afastado também. Era como se ela tentasse esconder aquela parte que mostraria que ela era diferente deles em tudo. A Margot parecia estar sempre guardando quem ela era só para si mesma, sendo altamente interessante, misteriosa e original. Tentar desvendar ela era como olhar num espelho embaçado. 


   A impressão que o filme passou é que apesar de serem uma família, eles não conseguiam enxergar uns aos outros. Eles mal se conheciam, cada um estava imerso em sua própria nuvem de preocupações e ansiedades que mal conseguiam se enxergar. Esse era para ser o papel da família, afinal. Eles moraram juntos a vida toda e como é possivel viver com alguém e mesmo assim não o conhecer?


   Além de ser extremamente reservada, a Margot tinha uma vida bem libertina, o que foi uma surpresa já que o filme se passa em uma época bem menos liberal. Ao longo da narrativa nós vemos que ela iniciou o uso de bebidas alcoolicas, cigarros e sexo bem jovem e acredito que a liberdade sexual é sim uma ponte para o autodescobrimento, mas, nesse caso específico era apenas uma caminho mais rápido para fugir de si mesma, seus pensamentos e sentimento? No caso da Margot, o sexo era apenas para ela conseguir esquecer de si mesma? Algumas obras um pouco mais atuais ilustram um pouco sobre essas questões, como Poor Things ilustrando o caminho para o autodescobrimento e Fleabag utilizando o sexo como uma fuga, um escape. Talvez ela tenha ficado tanto neste ciclo vicioso que, depois de um tempo, não era para uma auto descoberta ou fuga, era apenas uma coisa que ela fazia desde sempre e que agora não tinha como parar, doa a quem doer. 


  No fim, o filme não conta apenas uma história sobre histórias de outras pessoas, sem propósito algum. Também é um conto de redenção, de se aproximar da família e realmente tentar enxergar a dor do outro, porque no fim, todos querem ser um Tenenbaums, todos querem se encaixar na família, até mesmo os próprios pais. 


A seguir minhas frases favoritas: 


[ A falsa doença terminal de Royal foi exposta e ele está sendo expulso de casa ]

Royal : Olha, eu sei que serei o vilão nisso, mas só quero dizer que os últimos seis dias foram os melhores seis dias de, provavelmente, toda a minha vida.

Narrador : Imediatamente após fazer esta afirmação, Royal percebeu que era verdade.


Eli : [ para Richie ] Eu sempre quis ser um Tenenbaum, sabe?

Royal : [ baixinho ] Eu também. Eu também.

Eli : Mas isso não significa o que costumava ser, não é?


Margot : Você provavelmente nem sabe meu nome do meio.

Royal : Essa é uma pergunta capciosa. Você não tem um.

Margot : Helena.

Royal : Esse era o nome da minha mãe.

Margot : Eu sei que foi.



Anna Karenina: https://a.co/d/3CZxaYF

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