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Mais City do que Sex

  • 19 de abr.
  • 5 min de leitura

Pode não ser a minha série conforto, mas com certeza ocupa um lugar no pódio. Recentemente, voltei a assistir Sex and the City e, sim, como qualquer produção dos anos 1990–2000, há pontos que não envelheceram tão bem. Ainda assim, é impossível negar o quanto a série continua atual. Em uma conversa com uma amiga, chegamos a uma conclusão interessante: embora o sexo seja um tema recorrente e amplamente comentado, não é ele que realmente prende a atenção do público — e sim a relação entre as quatro protagonistas.


Mesmo na vida adulta, já na casa dos 30, a amizade entre elas permanece sólida. Talvez uma das maiores ilusões que já tive tenha sido acreditar que minhas amizades do ensino médio durariam para sempre. A realidade é que, conforme crescemos, os caminhos se desencontram: faculdade, distância, falta de comunicação — e tantos outros fatores. Além disso, nós mudamos. Estamos em constante transformação, e nem sempre é fácil para quem nos conheceu em outra fase nos enxergar de uma nova forma.


Na série, apesar das carreiras, dos relacionamentos complicados, das questões familiares e das crises pessoais, elas sempre encontram tempo umas para as outras. E talvez seja justamente isso que torna tudo tão especial. Sex and the City ficou marcada pela moda, pelos conselhos, pelos passeios por Manhattan, pelas discussões sobre carreira, dinheiro e autodescoberta — não apenas no aspecto sexual, mas também no crescimento individual de cada personagem.


Acredito que, ao longo da vida adulta, são as amizades que realmente salvam os nossos dias. São aqueles convites inesperados para passear no meio da semana, uma ida despretensiosa a uma loja, um café sem pressa, um filme qualquer, uma conversa no carro, um show ao lado de alguém que te faz rir. São esses pequenos momentos, compartilhados com pessoas que acompanham — e muitas vezes crescem junto com você — que resgatam dias difíceis.


São as amizades que seguram a gente quando tudo parece desmoronar: quando há brigas em casa, términos, dias ruins no trabalho, pressão da faculdade ou simplesmente aquele tédio silencioso. Elas transformam dias comuns em memórias e dias ruins em algo mais suportável.


E é isso que eu quero compartilhar: um pouco dos meus dias que foram salvos por essas presenças.


Uma das primeiras saídas com a diva começou depois de dias péssimos no serviço. Em meio a uma conversa despretensiosa sobre lingerie, acabei confessando o quanto odiava usar sutiã — sempre parecia que sobrava espaço entre o bojo e o corpo, como se nada realmente servisse em mim. Foi então que, sem pensar duas vezes, ela sugeriu: “vamos resolver isso hoje”. E assim fizemos.


Passamos por pelo menos quatro lojas — e, embora eu não me orgulhe totalmente disso, saímos de lá com quase R$600,00 em compras. Mas, no meio de tudo aquilo, veio uma descoberta quase libertadora: eu passei a vida inteira usando o número errado de sutiã. Aquela experiência, que começou de forma tão simples, acabou se tornando um marco. Foi a minha primeira compra “sozinha” de peças mais delicadas, mais sensuais — escolhidas por mim, para mim.


Mas o dia não parou por aí. Entramos em lojas de maquiagem, andamos pelo shopping sem pressa, comemos, tiramos fotos… e, como se não bastasse, ainda voltei para casa com um pijama novo. Hoje, inclusive, sou completamente apaixonada por roupas de dormir. Transformei minha cama no meu próprio santuário.


Criei uma rotina de autocuidado noturno, durmo em lençóis com cheiros suaves — como maçã com romã ou flor de cerejeira — e escolho com carinho o que vou vestir para dormir. Algo que seja confortável, mas que também me faça sentir bem comigo mesma. Bonita. Desejável. E tudo isso, pelo menos por enquanto, só para mim. Mas foi o suficiente para fortalecer algo que, por muito tempo, esteve esquecido: a minha autoestima.


No fim das contas, foi apenas uma ida despretensiosa ao shopping. Mas, de alguma forma, acabou sendo muito mais do que isso.


Claro que a diva também me apresentou ao pole dance — e isso foi um divisor de águas. Não só pela autoestima, que cresceu de um jeito que eu nem imaginava, mas também por tudo que ele me ensinou sobre resiliência e força. Muita força. E aqui não é metáfora: você já parou pra pensar no que é sustentar 80kg em uma barra de ferro, usando apenas o próprio corpo? É desafiador, é intenso — e, ao mesmo tempo, extremamente recompensador.


O pole me mostrou que eu sou mais forte do que pensava, tanto fisicamente quanto mentalmente. Cada movimento exige persistência, paciência e coragem pra tentar de novo, mesmo quando parece impossível.


E, como se não bastasse, foi por causa dele que eu conheci outras artes que hoje fazem parte da minha vida. O tecido acrobático, por exemplo, virou praticamente indispensável pra mim — aquele tipo de atividade que você não consegue mais largar. E a lira já está ali, na lista dos próximos hobbies, me esperando. Sem contar o pole sport, que traz um lado ainda mais técnico e desafiador.


Pra alguém que nunca foi fã de academia (culpada!), o pole foi a alternativa perfeita. Além de ajudar a desenvolver músculos e definir o corpo — especialmente em lugares bem estratégicos —, ainda tem algo que nenhuma academia me ofereceu: diversão de verdade.


No fim, não é só sobre exercício físico. É sobre se reconectar com o próprio corpo, descobrir do que você é capaz e, aos poucos, se olhar com mais admiração.


Campo Grande não é exatamente a cidade com mais opções de lazer — e talvez por isso mesmo eu tenha aprendido a valorizar qualquer oportunidade de fazer algo diferente, conhecer gente nova e explorar novos ambientes. Foi assim com a Stock Car Brasil.


O engraçado é que o meu erro foi achar que eu não gostaria de assistir corrida de carros. No fundo, os sinais sempre estiveram ali: eu amo o filme Carros, meu desenho favorito da infância era Speed Racer e, claro, meus materiais escolares eram todos da Penélope Charmosa. Ou seja, talvez fosse só uma questão de tempo até eu me render.


E quando finalmente aconteceu, foi daquelas experiências que te fazem pensar: “como eu demorei tanto pra descobrir isso?”. A energia, o barulho dos motores, a emoção das ultrapassagens… tudo te envolve de um jeito inesperado.


Hoje, a pessoa que achava que não ia gostar já está com viagem marcada para a final em Autódromo de Interlagos. Engraçado como a gente se surpreende quando se permite viver coisas novas, né?


Também tivemos nossos momentos mais “girlhood” possíveis: fomos comprar maquiagem, conhecer as novidades da MAC Cosmetics e, claro, marcamos presença na inauguração da Sephora — nem que fosse só pra tentar ver, ainda que de relance, um pouquinho da diva Lele Burnier.


E como se não bastasse, ainda tivemos nosso dia de salão: unhas feitas, cabelo cuidado, hidratação… o pacote completo. Aquele tipo de autocuidado que vai muito além da estética — é sobre se sentir bem, leve, renovada.


No fim das contas, percebo que são nesses momentos simples — e, ao mesmo tempo, tão especiais — que as amizades mostram sua verdadeira força. Elas nos ajudam a entender quem somos, a enxergar nosso valor e, principalmente, a aprender como merecemos ser amadas.

E talvez esse seja mesmo o maior presente de todos.


Pode até parecer fútil à primeira vista, mas é justamente nesses momentos que as conversas mais importantes acontecem. Entre uma maquiagem e outra, no meio de risadas ou durante um café sem pressa, surgem assuntos que realmente importam: mudança de emprego, de cidade, crescimento pessoal, autoestima, carreira, especialização, frustrações, investimentos…


É curioso como, nos cenários mais simples e descontraídos, a gente se permite ser mais honesta — com a outra pessoa e com nós mesmas. Sem pressão, sem formalidade, apenas sendo. E é ali, nesse espaço leve, que muitas decisões começam a tomar forma, que dúvidas encontram voz e que sonhos parecem, pela primeira vez, possíveis.


No fim, amadurecer nem sempre acontece em grandes viradas ou momentos marcantes. Às vezes, ele vem assim: silencioso, entre conversas despretensiosas e risadas compartilhadas. É nesses pequenos encontros que a gente cresce — quase sem perceber.

 
 
 

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