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Nem toda viagem é perfeita — e tudo bem: 2.000 km até Guarapari

  • 7 de abr.
  • 5 min de leitura

Nossa trajetória começa em Campo Grande/MS, com aquele cenário que parece congelado no tempo. Hora após hora, a paisagem se repete quase como um loop: céu aberto, horizonte infinito e extensas áreas de terra ocupadas por plantações e rebanhos. Até deixarmos Mato Grosso do Sul, o que se vê são fazendas que parecem não ter fim — soja, milho, trigo e uma quantidade impressionante de gado. É uma monotonia quase hipnótica, que acompanha a estrada por longas 4 ou 5 horas, até que, finalmente, cruzamos a divisa com São Paulo.


E então, tudo muda.


Em São Paulo, o contraste é imediato. O interior já carrega uma energia completamente diferente — mais urbano, mais dinâmico, mais acelerado. É como se a pressa fosse parte do ar. Mais prédios, mais carros, mais movimento. A sensação é de estar entrando em um lugar que nunca desacelera. Não é à toa que dizem ser a cidade que nunca dorme.


As rodovias, inclusive, foram algumas das melhores que já dirigi. Bem sinalizadas, bem cuidadas, quase um convite para continuar seguindo sem interrupções. E, particularmente, dirigir à noite torna tudo ainda melhor para mim. Existe algo na estrada vazia, no silêncio interrompido apenas pela música e pela conversa, que me deixa mais desperta, mais presente. Menos carros, menos distrações, mais fluidez. E claro, há três coisas que nunca podem faltar: meu energético, um bom copiloto para dividir histórias e risadas, e uma playlist que transforma a viagem em trilha sonora.


A travessia por São Paulo foi rápida, quase imperceptível. Mas Minas Gerais… Minas resolveu ser sentida.

A entrada no estado traz uma mudança de ritmo e de cenário. A paisagem se transforma em algo muito mais orgânico, quase poético. Morros que se desenham no horizonte, plantações de café que cobrem as encostas, serras que parecem abraçar a estrada. É, sem dúvida, uma das vistas mais bonitas da viagem.

Mas beleza nem sempre vem acompanhada de praticidade.


A sensação era de que o destino nunca chegava. A distância parecia se esticar, e, para completar, foi ali que enfrentamos os pedágios mais caros e as piores condições de estrada. Em um dos trechos mais tensos, reduzimos para 20 km/h atrás de um caminhão, simplesmente porque era impossível enxergar os buracos à frente. Um misto de tensão, cansaço e incredulidade.


E então, depois de tantos quilômetros, finalmente chegamos a Guarapari, mas a “chegada” não foi exatamente tranquila. Saímos de uma estrada ruim direto para um trânsito caótico. Ruas estreitas, carros por todos os lados e uma dificuldade absurda para estacionar. Sem exagero: um dos maiores desafios da viagem foi simplesmente encontrar uma vaga.


Se posso dar um conselho sincero: vá para a Praia de Ubú.


No geral, Guarapari é uma cidade bonita. As formações rochosas ao redor das praias criam um cenário único, quase esculpido pela natureza. As praias mais afastadas são, sem dúvida, as mais encantadoras — mais limpas, mais tranquilas, mais “vivas”. Já a Praia do Morro, apesar de famosa, me decepcionou um pouco pela sujeira e pelo excesso de movimento.




















Ainda assim, a experiência teve seus pontos altos.


Ficamos hospedados no Catres, praticamente com o pé na areia. Havia uma simplicidade charmosa no lugar: redes espalhadas, uma lanchonete acessível, atividades como bocha… um ambiente descontraído, quase nostálgico. Era o tipo de lugar onde o tempo desacelera — ou pelo menos tenta.


Entretanto, sendo bem honesta, como destino de praia, Guarapari não entrou no meu ranking dos melhores.

Faltava estrutura. Faltava conforto. Pouca sombra, poucas barracas, poucas opções de passeio. E a água… fria. Um contraste enorme quando se pensa nas praias do Nordeste, com aquele mar mais acolhedor.

Ainda assim, a companhia fez tudo valer a pena. E isso muda absolutamente tudo em qualquer viagem.

Durante nossa estadia, tiramos um dia para conhecer Vitória. E ali, sim, tive um dos momentos mais marcantes.



Visitamos o Convento da Nossa Senhora da Penha. Subimos de van — confesso, mais por comodidade do que por coragem física. Mas a chegada… a chegada foi algo especial. A vista lá de cima é simplesmente indescritível. A cidade, o mar, o vento, o silêncio… tudo parecia em perfeita harmonia.

Acendi uma vela. Não por ritual, mas por sentimento.


Existe algo naquele lugar — na história, na energia, na conexão com a natureza — que toca de um jeito diferente. E, goste ou não, a estética da Igreja Católica impressiona. É grandiosa, simbólica, quase cinematográfica.



Outro ponto do roteiro foi a fábrica de chocolates da Garoto. Eu gosto de chocolate… mas com certa moderação. Ainda assim, aproveitei para comprar lembranças. Os preços eram bem acessíveis. Só foi uma pena que, no dia, tanto a fábrica quanto o museu estavam fechados para visitação.


Na gastronomia, tive uma estreia importante: minha primeira moqueca. Confesso que fui com certo receio. Mas bastou a primeira garfada para entender a fama. Pedimos uma moqueca de robalo, e sim — a moqueca capixaba tem personalidade. É leve, saborosa, equilibrada. O restaurante tinha vista para o rio, o que tornava tudo ainda mais especial, apesar do acesso um pouco complicado.



















À noite, fomos a um restaurante em Guarapari que tinha tudo para ser perfeito. E quase foi.

Experimentei um prato chamado “Fruto Proibido”: salmão com maçã caramelizada e risoto de nozes. Uma combinação improvável, mas surpreendentemente deliciosa. As entradas também estavam impecáveis — bruschettas bem elaboradas, cheias de sabor. Tudo isso ao som de um saxofone ao vivo, criando uma atmosfera elegante e intimista, com vista para a estátua no centro da cidade. Em contrapartida, alguns imprevistos, como a falta de água, quebraram um pouco da experiência. Ainda assim, ficou com uma nota 7 — porque, mesmo com falhas, teve seu charme.


Na viagem de volta, fizemos uma parada estratégica em Belo Horizonte. Depois de dias mais simples, dormir em um hotel foi quase um luxo.Acordei cedo, decidida a aproveitar cada detalhe. Sauna, café, frutas, piscina… mesmo com o clima mais fechado, consegui relaxar e recarregar as energias. E talvez um dos melhores pontos da viagem tenha sido perceber que encontrei pessoas que gostam de viajar como eu. Que valorizam comer bem, se arrumar, explorar, viver o momento. Isso transforma completamente a experiência.


Antes de pegar estrada novamente, paramos no “Fofos de Belas”. O estrogonofe estava impecável e a torta Floresta Negra… inesquecível. Foi ali, inclusive, que experimentei figo pela primeira vez.


E então, estrada novamente.


Por cerca de 15 horas, seguimos entre músicas antigas, conversas soltas, risadas e aquele cansaço confortável de quem viveu algo intenso. Até que, finalmente, retornamos ao nosso “velho oeste brasileiro”: Campo Grande/MS. No fim das contas, a viagem foi boa. Dou uma nota 6,0.


Talvez porque já conhecia parte do destino, talvez porque a expectativa não foi totalmente correspondida. Quando comparada a lugares como Porto Seguro, Porto de Galinhas, Maragogi ou até Ubatuba, Guarapari acaba ficando um pouco atrás. Ainda assim, valeu. Valeu pela experiência, pelas histórias, pelas descobertas — e, principalmente, pelas pessoas.


Para quem nunca foi, recomendo conhecer.

Mas, para mim, é um destino que provavelmente ficará apenas na memória — e não na lista de retorno.


Nota 6/10. Mas e você, o que achou? Já tinha ido a Guarapari? Tem vontade de conhecer? Me conta aqui nos comentarios.


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